sábado, 17 de setembro de 2016

Pedagogia da Alternância

PEDAGOGIA DE ALTERNÂNCIA


1)     Princípios a serem contemplados no Currículo:

O presente trabalho apresenta uma discussão acerca da Pedagogia da Alternância e sua prática a favor da qualidade da educação nas escolas do campo. Essa discussão se volta para as práticas pedagógicas atuais e o modelo de educação que se encontra nestas escolas. O campo precisa de uma escola que desenvolva desde cedo nas crianças e nos jovens o senso de participação e de crítica, já que a realidade continua cada vez mais injusta e discriminatória. Mas como ter a escola contribuindo para o desenvolvimento do senso crítico se na prática as aulas reproduzem o medo, a insegurança e perda da identidade cultural dos alunos? Este trabalho apresenta também o que a escola tem feito na construção da identidade crítica dos alunos; sobre a avaliação que é aplicada nos espaços escolares sua contribuição para a qualidade da educação e sua missão enquanto formadora dos cidadãos do campo. Apresenta ainda a necessidade da discussão sobre a Pedagogia da Alternância enquanto uma prática de interação e de significações, que é realmente praticada e não apenas modelo de mais uma proposta de participação dos envolvidos e da importância de se tornar política para as escolas do campo.


       2) Organização dos Tempos e Espaços Recomendados:

Os conceitos de espaço e de tempo são construções sociais e históricas da atividade humana. A ideia que se tem hoje sobre essas categorias na organização curricular, a nosso ver, constitui parte das mediações produzidas nos movimentos de construção histórica da própria modernidade e absorvidos na escola como cultura. A ideia sobre a qual se assenta a percepção atual dessas categorias tem a ver com o conceito mais amplo de tempo e de espaço vigente no paradigma da modernidade.

As transformações sociais vivenciadas pela Europa, sobretudo a partir do século XV, identificadas com o movimento renascentista nos campos da cultura, da política e da ciência e com o fortalecimento da classe burguesa no sistema capitalista repercutiram significativamente sobre as formas de organização das instituições, em geral, e da educação, em particular. Essa espécie de revisão ou reforma do pensamento alterou significativamente aspectos da tradição teológico-idealista e retórico-literária da Idade Média, implicando sobre os modos de organização da sociedade, das instituições e dos indivíduos. Como expressa Macedo (2006), o espaço-tempo do currículo traz, sem dúvida, marcas de uma homogeneidade ditada tanto pela cultura do Iluminismo quanto por uma cultura de mercado, características do pensamento moderno.

Refletindo sobre essa perspectiva, o professor Pedro Goergen (2005) destaca que uma das importantes heranças do início da modernidade para o mundo ocidental foi a ideia de que a mesma lógica que explica os tempos e os espaços da natureza pode explicar os tempos e os espaços do homem. Ou seja, a modernidade pretendeu fazer do tempo e do espaço natural o tempo e o espaço humano. Por essa lógica, obviamente sustentada numa concepção mecanicista de mundo, tempo e espaço passam a ser entendidos como categorias racionalizáveis, que se movem em perspectivas lineares e, por isso, passíveis de algum controle.

         3)     Objetivos Gerais da Aprendizagem, a serem atingidos:

Este trabalho tem como objetivo problematizar sobre o processo de aprendizagem dos estudantes em alternância na metodologia da Pedagogia da Alternância aplicada na rede dos Centros Familiares de Formação em Alternância – CEFFAs. Parte-se da concepção de estudante como sujeito do campo caracterizado também como sujeito alternante em razão do pertencimento e envolvimento deste no contexto do campo e no movimento metodológico alternado da Pedagogia da Alternância. Caminhamos pelas trilhas conceituais da Educação do Campo compreendendo-a como possibilidade de valorização do campo sendo este um espaço de vivências e relações específicas para a formação do estudante. A metodologia da pesquisa baseia-se na pesquisa-ação de René Barbier, no conceito do „pesquisador coletivo‟ segundo uma visão sistêmica. Coaduna-se com o entendimento da aprendizagem como um processo auto-eco-organizativo, segundo Edgar Morin, numa abordagem complexa a qual o sujeito alternante está implicado numa perspectiva do devir, concebendo o aprender como perturbar-se no viver no mundo com as nossas razões e emoções entrelaçadas.

           4) Procedimentos Metodológicos Sugeridos:

Este artigo é parte de estudos e análise realizada a partir das práticas das ações pedagógicas das EFAs do Estado de Goiás, localizadas nos municípios de Goiás, Orizona e Uirapuru. Neste sentido, constatou-se a necessidade de pesquisas e estudos teóricos dos procedimentos metodológicos da Pedagogia da Alternância para compreender a sua dinâmica e os desafios da proposta educativa de investir na formação pedagógica para os professores/monitores e a necessidade de fortalecer a Educação Profissional. O estudo teve como metodologia a pesquisa de campo, entrevista dirigida com professores, alunos e famílias camponesas e leituras referentes à temática em questão. A Pedagogia da Alternância no Brasil, apesar da sua relevância, é pouco estudada. Carece de pesquisas que possam ajudar a compreender do ponto de vista teórico, a construção e o desenvolvimento metodológico e pedagógico, desse projeto educativo no ensino escolar, seja no ensino médio ou na Educação Profissional (Técnico em Agropecuária). Essa problemática surge da necessidade de desenvolver estudos aprofundados devido às dificuldades que as escolas que trabalham a alternância vêm enfrentando na operacionalidade dos instrumentos pedagógicos e no processo de ensino aprendizagem. Necessita-se de uma sistematização de todo o processo metodológico para ajudar na formação e na prática docente dos formadores da educação na alternância a realizarem-se o acompanhamento e a orientação aos adolescentes, jovens e às famílias camponesas.

            5) Materiais de Ensino e de Aprendizagem:

A análise dos resultados revelou que a Pedagogia da Alternância começou a tomar forma em 1935 a partir dos agricultores franceses, já a experiência brasileira com a Pedagogia da Alternância começou em 1969 no estado do Espírito Santo, onde foram construídas as três primeiras Escolas Famílias Agrícolas. Não obstante, decorridos mais de 40 anos de sua implantação no país, essa proposta pedagógica ainda é discutida com pouca ênfase em nosso meio acadêmico. A Pedagogia do Movimento ao decidir pela seleção, forma de organização e distribuição dos conhecimentos com as comunidades definindo sua própria caminhada de opção teórico-metodológica transformadora, envolvendo suas discussões nas opções de concepção de homem, de sociedade e de educação, faz uma opção política, compreendida como possível e necessária de se materializar na seleção do que e como ensinar, pela comunidade e pela escola, como forma de contribuir na transformação de uma realidade social, a partir da práxis dialógica. Já as concepções que fundamentam a aprendizagem ativa estão centradas no aluno e no professor privilegiando a avaliação continua e no processo; a recuperação paralela; a promoção flexível e a periodicidade de cursos de formação para professores e pedagogos, contudo, esta metodologia também traz inúmeros equívocos, visto que as escolas do campo necessitam, além de mudanças metodológicas, mudanças estruturais.

             6) Avaliação:

Avaliação na Pedagogia da Alternância , com o objetivo de entender as dimensões avaliativas adotadas no Saberes da Terra, a fim de compreendê-las como importante instrumento de apreciação da qualidade e eficiência do ensino e aprendizagem, resultando em uma transformação social na vida dos sujeitos. Por meio da pesquisa de campo, foram aplicadas entrevistas semi-estruturadas a alunos egressos e, atuais do Programa. Os resultados obtidos foram analisados de forma qualitativa, a partir das experiências vividas no programa e 1 Artigo apresentado como requisito parcial à obtenção do título de Especialização em Educação do Campo, Agricultura Familiar e Sustentabilidade na Amazônia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará – Campus Abaetetuba. 2 com auxílio de estudos de diversos autores da Educação e Movimentos Sociais. Com isso, percebeu-se a importância de uma prática avaliativa diferenciada para a Educação do Campo, que atenda às necessidades e especificidades dos sujeitos do campo, promovendo a formação de cidadãos participativos, críticos e capazes de transformar sua própria realidade.

Podemos perceber que a vivência representa uma aprendizagem contínua, assim necessitamos de instrumentos adequados que nos permitam avaliar o desenvolvimento do aluno, nas novas atitudes, suas relações práticas no momento em que passa no meio familiar e no meio escolar, nos permitindo apreender seu nível de capacidade de expressão, aquisição de novas conhecimentos, a nível intelectual e de aplicação prática. 

O ator principal desse processo é o próprio aluno, os agentes auxiliares são os pais e monitores, que devem colaborar com os métodos de avaliação, tendo em vista que seu objetivo é averiguar em que o aluno necessita ser ajudado para melhorar seu desenvolvimento e também para que a família e monitores percebam se precisam melhorar suas técnicas de orientação.

Para tal procedimento será necessário criar critérios e técnicas para medir o nível de desenvolvimento através do processo de avaliação. O processo de avaliação nos remeterá a valores expressos em conceitos e consequentemente ao preenchimento de fichas de cada aluno, diários por matérias e por séries/ciclos.

As atividades para avaliar essas atitudes práticas do cotidiano, comportamento e habilidades, devem ter seu tempo específico. O desenvolvimento em termos de novos conhecimentos teóricos - conteúdos das disciplinas - deverão ser avaliados simultaneamente ao estudo dos mesmos não podemos deixar de considerar como parte indispensável no processo de avaliação a relação entre o perfil do aluno por série e o diagnóstico da série por aluno (Comissão de formação), isso porque, sendo a Pedagogia da Alternância uma pedagogia educacional personalizada, em cada período, cada aluno tem realidades, condições e culturas diferenciadas, as avaliações não podem ser um processo massificador.

              7) Exemplos de Boas Táticas:

A Pedagogia da Alternância consiste numa metodologia de organização do ensino escolar que conjuga diferentes experiências formativas distribuídas ao longo de tempos e espaços distintos, tendo como finalidade uma formação profissional. Esse método começou a tomar forma em 1935 a partir das insatisfações de um pequeno grupo de agricultores franceses com o sistema educacional de seu país, o qual não atendia, a seu ver, as especificidades da Educação para o meio rural. A experiência brasileira com a Pedagogia da Alternância começou em 1969 no estado do Espírito Santo, onde foram construídas as três primeiras Escolas Famílias Agrícolas. Não obstante, decorridos 40 anos de sua implantação no país, essa proposta pedagógica ainda é discutida com pouca ênfase em nosso meio acadêmico. Em projeto de pesquisa que vimos desenvolvendo, realizamos um levantamento das dissertações de mestrado e teses de doutorado brasileiras sobre Pedagogia da Alternância defendidas entre 1969 e 2006. O objetivo deste artigo é mapear e discutir essa produção, visando estabelecer um primeiro esboço do "estado da arte" nesse campo de investigação. A revisão inclui 46 trabalhos, sendo 7 teses e 39 dissertações. Neste texto, apresentamos as temáticas de estudo mais recorrentes, a distribuição regional dessa produção e o que consideramos como consensos e limites nesses trabalhos.

               8) Considerações da Equipe sobre o Trabalho Realizado: 


O presente artigo vem indicar alguns elementos que constituem a organização do trabalho pedagógico específica das escolas e da educação do campo. Para realizar tal propósito, inicialmente, faz-se uma discussão sobre a especificidade da educação do campo e, ao se afirmar tal premissa, evidencia-se também o processo de construção dessa educação do campo até sua inserção nos documentos legais da área educacional. Distingue-se a consolidação dessa modalidade educativa, mostrando que a mesma está vinculada aos interessados diretos, ou seja, os sujeitos do campo. Após tais considerações, o texto se encaminha para questões inerentes à organização das unidades escolares, buscando evidenciar elementos que dão sustentação para a implantação operacional da educação do campo. Vale salientar que não é somente a adoção de algumas práticas educativas que garantem a consolidação da educação do campo. Ela é perpassada pela identidade camponesa, por um projeto de sociedade e por um rol de práticas coletivas. Conclusivamente, é necessário destacar que, seja como atividade meio ou como atividade fim, a educação do campo é uma categoria que se destaca em sua particularidade justamente por possuir um projeto contra-hegemônico e popular, sustentado pelos sujeitos sociais que a constitui.

               9) Referências:

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