segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Organização escolar não seriada

ORGANIZAÇÃO ESCOLAR NÃO SERIADA



1)      Princípios a serem contemplados no Currículo

Dentre as práticas implantadas pela escola, a mais legitimamente ligada à sua razão de ser é, sem dúvida, a que denominamos desenvolvimento do currículo escolar. É por dentro dele que pulsam e se mostram as mais diversas potencialidades, em meio às reações manifestadas pelos alunos nos seus escritos, desenhos, jogos, brincadeiras, experimentos, estratégias de relacionamento entre si e com os educadores. Como uma forma diferente de pensar a escola, os Ciclos incitam a questões relacionadas não apenas à sua estruturação não seriada, mas principalmente à constituição das práticas pedagógicas do educador, do educando e de sua formação.

2)      Organização dos Tempos e Espaços Recomendados

O currículo escolar requer uma organização dos tempos/espaços em que a escola vai desenvolver os diferentes conhecimentos e valores que durante a construção do seu Projeto Político Pedagógico - PPP forem considerados necessários para a formação de seus alunos. a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDBEN (Lei n° 9394/1996) estabeleceu como incumbência da escola e de seus professores (Art. 12 e 13) a construção do PPP. É na construção do PPP que a comunidade escolar (Pais, Professores, Alunos, Funcionários) debate, discute e estabelece suas concepções de homem, de mundo, de sociedade, de conhecimento, de currículo, de avaliação e tantas outras, com o objetivo de criar referências e diretrizes próprias para as práticas que pretende implantar.

3)      Objetivos Gerais da Aprendizagem, a serem atingidos

A seriação, a educação é, muitas vezes, concebida como um processo de transmissão, recepção e avaliação dos saberes e habilidades dos alunos. Segundo Rodrigues (2001, p. 21), isso revela que o objetivo é a retenção de conteúdos, segundo uma metodologia que opta pela sua fragmentação em disciplinas estanques e não contextualizadas.

4)      Procedimentos Metodológicos Sugeridos

Art. 23. A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não-seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar.

O Artigo 23 da LDB abre várias possibilidades de organização do tempo e do espaço escolar. Todas as escolas estão amparadas pela legislação para promover mudanças na organização dos seus tempos e espaços. Tais mudanças dependem da organização e articulação de toda comunidade escolar: pais, alunos, professores, gestores, funcionários e comunidade.

5)      Materiais de Ensino e de Aprendizagem

A lei deixa claro que pode haver uma “forma diversa de organização”. Portanto, “vale tudo”, desde que se atenda o interesse do processo de aprendizagem, ou seja, o objetivo a ser atingido é a aprendizagem, e é em função desse objetivo que se deve definir os meios, estratégias e formas de organização. Nesse caso, há uma clara prevalência do pedagógico sobre o administrativo.

O professor pode usar o método que quiser, nas suas aulas (art. 3°), e a escola pode ter a organização que julgar melhor, na educação básica (art. 23), desde que, tanto um como a outra levem à aprendizagem dos alunos.

6)      Avaliação

Na educação em ciclos, a primeira etapa do ensino fundamental é dividida em blocos pedagógicos: o primeiro ciclo (que corresponde aos três primeiros anos) e o segundo ciclo (que correspondem aos outros dois anos). Neste sistema, o aluno não repete porque a avaliação é contínua e ultrapassa o ano letivo. Na educação seriada, cada ano equivale a uma série e, portanto, o aluno que não dominou o conteúdo, fica retido e refaz o mesmo conteúdo no ano letivo seguinte.

7)     Exemplos de Boas Práticas

Em São Paulo, uma escola vem se destacando pela organização do Ensino Fundamental por ciclos. A Escola Municipal Desembargador Amorim Lima mudou seus espaços e tempos para garantir que os ciclos de fato funcionem e as crianças e adolescentes tenham uma formação integral, com acesso ao conhecimento e vivência de espaços democráticos.

A partir de reuniões do conselho escolar a escola criou uma comissão de pais e educadores para repensar a organização da escola em todos os sentidos. Das articulações do conselho, inspirados pela Escola da Ponte de Portugal, a escola decidiu arrancar quatro paredes para que dois extensos salões se formassem a partir de seis salas convencionais. No lugar das aulas expositivas, criaram oficinas sobre temas como português e matemática, sendo o resto do tempo ocupado com pesquisas, a partir de temas que os alunos escolhem em um roteiro de pesquisa recheado de assuntos.

Nos salões, os professores respondem às perguntas, à medida que são solicitados. Divididos em grupos, os alunos têm a oportunidade de desenvolver uma atitude coletiva. “O grupo existe para que todos percebam as responsabilidades que compartilham. Vejo muita gente dizendo que trabalha em grupo e ao mesmo tempo reclama que os membros da sua equipe não fazem nada ou contribuem pouco. Aprender a trabalhar em grupo é perceber que você também se responsabiliza por aquele que não faz nada, que você pode influenciá-lo”, comenta Ana. A autonomia de cada um é lapidada no encontro com os outros. Às quintas-feiras, os alunos dividem-se em grupos de dez para encontrar tutores responsáveis por acompanhar o ritmo do seu desenvolvimento. O papel dos professores-tutores é compartilhar leituras e referências relevantes, conversar sobre problemas e revitalizar a curiosidade dos seus pupilos. O tutor acompanha os alunos por anos seguidos, cultivando uma relação próxima. (GRAVATÁ, PIZA et al, 2013)

8)     Considerações da Equipe sobre o Trabalho Realizado

O que está em jogo na educação escolar é um confronto de lógicas. A lógica da seriação, em que o aluno aprende determinados conteúdos em cada série e a lógica dos ciclos de formação, uma nova concepção de escola para o Ensino Fundamental que propõe o agrupamento dos estudantes de acordo com as diferentes fases da formação: infância; pré-adolescência e adolescência. Desta forma elimina a lógica da seriação que corrobora para a exclusão, uma vez que os diferentes ritmos de aprendizagem não são levados em consideração.

9)     Fontes Consultadas





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